Rede de Tráfico de Marfim Desmantelada na Província de Gaza
No início de março de 2025, as autoridades moçambicanas lançaram uma operação que resultou no desmantelamento de uma rede criminosa envolvida na caça furtiva massiva de elefantes e no tráfico ilegal de marfim, com ramificações desde Chicualacuala até Maputo.
A investigação teve início no distrito de Massingir, província de Gaza, na sequência de informações que indicavam o envolvimento de suspeitos na morte de elefantes dentro do Parque Nacional do Limpopo. Esta ação levou à detenção de um indivíduo diretamente ligado à atividade.
No dia seguinte, as autoridades receberam nova informação sobre um cidadão moçambicano, residente no distrito de Mabalane, alegadamente envolvido na compra e venda de peles de boi — uma fachada utilizada para viabilizar o tráfico de marfim. As investigações revelaram que o suspeito operava nos distritos de Massingir, Mabalane, Mapai e Chicualacuala, e que já tinha sido avistado em Massingir a vender capulanas e roupa usada.
Agentes infiltrados estabeleceram contacto com o suspeito, fingindo interesse na compra de peles de boi. O encontro, que teve lugar em Mabalane, permitiu confirmar que o indivíduo mantinha fortes ligações à caça furtiva e ao comércio ilegal de produtos de fauna bravia.
As diligências seguintes revelaram que o suspeito tinha em sua posse pontas de marfim e atuava em conluio com outros indivíduos baseados em Chicualacuala. Foram então desencadeadas ações operacionais nos distritos de Mabalane e Chicualacuala, com o conhecimento das autoridades locais. Estas ações resultaram na detenção de dois suspeitos e na apreensão de 157 quilos de marfim, correspondentes a dez pontas de elefante.
As autoridades apuraram que se trata de uma rede criminosa mais ampla, com operações desde Chicualacuala até Maputo, e da Zambézia até Maputo, dedicada sobretudo ao tráfico de marfim, cornos de rinoceronte e pangolins. Para dissimular as suas atividades ilegais, os envolvidos fazem-se passar por vendedores ambulantes de roupa usada e compradores de peles de boi — subterfúgios que também facilitam o transporte destes produtos através das fronteiras terrestres.
De forma particularmente alarmante, a investigação revelou ainda que, além do uso de armas de fogo para a caça nas zonas protegidas do Parque Nacional do Limpopo e do Parque Nacional Kruger (África do Sul), os suspeitos também utilizavam veneno nos bebedouros naturais para matar os animais e extrair os troféus.
Esta operação representa um avanço significativo na luta contra o tráfico de fauna em Moçambique e sublinha a necessidade urgente de vigilância contínua, cooperação transfronteiriça e reforço da aplicação da lei para desmantelar redes organizadas de crimes contra a biodiversidade.




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